Ontem eu estava olhando alguns produtos na seção de brinquedos de uma loja, quando me deparei com um quebra-cabeça tridimensional do Taj Mahal. Fiquei imaginando o trabalho que seria passar horas e dias, trabalhando para conseguir montar uma réplica em 3D do maravilhoso monumento indiano construído em mármore branco pelo imperador Shah Jahan para homenagear sua esposa.
Poucos dias antes dessa descoberta, eu estava lendo um livro do Anthony Robbins, quando um trecho me chamou muita atenção: “Se você estiver montando um quebra-cabeça e uma peça não encaixar, em geral você não considera isso um fracasso e não pára de trabalhar no quebra-cabeça. Você considera isso como coisa passada e tenta outra peça que pareça mais promissora”.
Certamente, esses dois eventos tinham muito a me ensinar em relação a como lidamos com os desafios da vida em nosso dia a dia. Pensando a respeito, cheguei a algumas conclusões em relação ao que podemos aprender com a brincadeira do quebra-cabeça. Vou compartilhá-las com vocês.
Em primeiro lugar, você poderá passar o dia inteiro tentando encaixar peças, uma após outra, sem sucesso algum por falta do quadro geral, foto ou objeto a ser montado. Algo como um pedreiro tentar empilhar tijolos sem uma planta-baixa, desenho ou esquema da construção. E quantas vezes ao dia perdemos energia, tempo e dinheiro justamente pela inexistência de um objetivo de vida claramente definido em nossa mente? Quantos dias perderemos num ano, e quantos anos numa vida, tentando encaixar peças que não se encaixam por não terem relação com o objetivo geral desejado?
Quando temos algum objetivo claramente definido em nossa mente, temos uma representação do que queremos alcançar. Esse objetivo de vida deve ser claro, afirmativo, mensurável, viável e planejado em seus detalhes. Você deve pensar no que quer (afirmativo) e não no que deseja evitar ou não quer para sua vida. Mais importante do que ser afirmativo é saber exatamente o que deseja ver, ouvir, pegar, cheirar e saborear ao alcançar seu objetivo. Afinal, como você saberá que alcançou seu objetivo? Seria algo como montar e desmontar o Taj Mahal várias vezes por insistir em obter o monumento do Coliseu Romano.
Segundo lugar, não conseguiremos montar todo o quebra-cabeça se não tivermos todas as peças para montá-lo. A boa notícia é que temos todas as peças necessárias para montarmos qualquer tipo de quebra-cabeça e alcançarmos nosso objetivo final. Chamemos essas peças de recursos: tempo, paciência, segurança, confiança, perseverança, força, motivação, conhecimento… Muitas vezes achamos que não temos determinado recurso, mas o que não sabemos é que usamos esse mesmo recurso em outros contextos.
Já vi várias pessoas dizerem que não têm confiança no trabalho que fazem e se consideram inseguras. Sempre pergunto em que contexto da vida elas fazem algo com muita confiança, pois dominam aquilo que estão fazendo. Advinha a resposta! Sempre encontram um contexto onde desfrutam do recurso que pensavam não possuírem. O que precisamos aprender? Levar o recurso de um contexto para outro. Um pai que tem uma grande paciência para montar quebra-cabeça com seu filho pode levar essa paciência para a sala de reuniões, exercer liderança ou no atendimento aos clientes. O recurso é o mesmo. O que muda é o contexto e os ganhos obtidos com essa atitude.
Em terceiro lugar, você precisa entender de uma vez por todas que possui as peças certas. O problema é que tentamos encaixá-las numa sequência, tempo ou posição errada. Se você soubesse o que sabe hoje alguns anos atrás certamente tomaria outras decisões na vida, certo? A questão é que na época você não tinha uma representação mental, ou seja, uma experiência ou mapa tão elaborado e rico como tem hoje. Peça conscientemente a peça a seu inconsciente e a receberá!
Muitas vezes desistimos de todo o objetivo final porque não encontramos a peça que tanto queremos naquela hora. A razão é que facilmente nos desmotivamos e desistimos de continuar a busca da peça em algum dado momento. Como Robbins sabiamente falou, quando estamos tentando montar algo, não devemos nos sentir fracassados porque não encontramos a peça que tanto queríamos. Devemos, sim, buscar outra que faça algum sentido naquele momento.
Em quarto lugar, quando começamos a montar um quebra-cabeça por um lado e não conseguimos, devemos mudar nossa estratégia e recomeçar a montar por outros lados, setores e etapas de nosso plano de vida. Enfim, flexibilidade é uma das chaves para o sucesso. Fracasso é apenas mais uma palavra para definir algum resultado que você não desejava. Você precisa apenas ser mais flexível e tentar mais uma vez, porém de modo diferente. Use uma estratégia diferente!
Finalmente, embora o nome quebra-cabeça pareça algo intimidante ou assustador, a atividade de montá-lo e ver toda sua obra completa é uma das coisas mais prazerosas, realizadoras e felizes de nossa vida. Do mesmo modo é seu trabalho. Enquanto você não fizer algo de que não gosta ou não gostar do que faz, encontrará no trabalho um conjunto de peças pesadas demais para carregar e montar. Você não só quebrará sua cabeça, como seu corpo, sua alma e seu futuro.
Quando você aprende a dar significado ao que faz, e encontra seu propósito de vida, terá combustível e motivação não só para montar seu quebra-cabeça como o de muitos que estão ao seu redor. Você aprenderá a fazer a diferença. Montar quebra-cabeças é muito bom, mas ainda melhor é montá-los ao lado de seus filhos, maridos, esposas e amigos. O sucesso será maior quando você alcançá-lo levando mais pessoas consigo. E se algum dia a vida lhe pregar alguma peça, entenda que essa é apenas mais uma peça do quebra-cabeça que é sua vida… A conversa está boa, mas tenho que ir ali montar meu Taj Mahal. Afinal, vocês acham que essa conversa ia ficar só na teoria?
Peça por peça se vai longe!
28/08/2012
