Você alguma vez já pensou em mudar algo em sua vida, mas quando pensou no esforço, tempo e energia que teria que gastar, acabou por “deixar quieto”? Alguma vez já adiou uma decisão a qual tinha que tomar simplesmente porque não queria mexer no time que estava ganhando? Ou, ainda, não quis fazer algo porque teria problemas e desprazeres com amigos e/ou familiares?
Pode ser uma mudança de casa ou cidade; sair de um emprego; abrir o próprio negócio; abandonar um vício; começar uma dieta; entrar numa academia; ingressar na universidade; plantar uma árvore; casar; ter um filho; pôr fim num relacionamento… Eu vou parar por aqui, pois vai ter leitor que precisa fazer tudo isso ao mesmo tempo.
A questão não é o que você precisa fazer, mas qual primeira decisão precisa tomar para fazer o que você precisa fazer? Qual é o marco zero da mudança? Qual é o momento certo da virada? O que fazer quando você está no limite do seu limite? Ou, ainda, no meio do meio de lugar algum?
Certa vez quando estava aprendendo a dirigir num carro chamado Chevette Hatch do meu pai – Acabei de entregar minha idade -, costumava aproveitar toda ladeira para colocar o câmbio no ponto neutro, ou seja, o carro no ponto morto. Enfim, “pegar a famosa banguela”. Afinal, não tínhamos dinheiro para pagar gasolina e aproveitámos para economizar cada gota do tanque.
Hoje tenho um carro com injeção eletrônica e vários especialistas já disseram que não devemos descer uma ladeira com o carro no ponto neutro ou na banguela. Como não sou especialista em motores e carros, não entrarei no mérito. Só sei que hoje não “pego mais banguela” em nenhum carro por questão de segurança, desgaste de pneus, dentre outros riscos.
“Marcos, o que tem a ver mudanças, decisões, carburador, banguela e ladeira? Você está ficando louco?” – Dirão alguns leitores. Calma, galera! Vou explicar.
Quando alguém não toma determinada decisão, porque não quer gastar energia, tempo e esforço, está naturalmente “pegando uma banguela” na vida, pois está procurando economizar combustível. O problema é que decidir não agir é a mesma coisa que agir para não decidir. E você é fruto de todas suas ações, seja as tomadas ou não tomadas.
Vejo muita gente descendo a ladeira no ponto morto, e sem saber, matando o tempo e sua vida lentamente à medida que mata também qualquer iniciativa de mudar sua realidade para uma mais feliz.
O pior é que nenhum carro sobe uma ladeira quando você o deixa no ponto morto, excetuando alguns lugares no Brasil, como na Serra do Araripe, próximo a cidade Exu, em Pernambuco, que ao desengrenarmos o carro, temos a impressão de vê-lo subir, mas é apenas uma ilusão de ótica. Afinal, ninguém e nada “desce para cima”.
Então, como você já sabe que “pegar banguela” numa ladeira só o levará para baixo, resta-lhe brecar o carro da sua vida imediatamente. Depois, dê meia volta e comece a subir imediatamente com todas as suas forças, a fim de alcançar aquele topo de onde não deveria ter descido, e, principalmente, para ver novas paisagens e alcançar novas fronteiras.
Como já dizia o Roberto Carlos: “Eu sei. Tô correndo ao encontro dela. Coração tá disparado. Mas, eu ando com cuidado. Não me arrisco na banguela”. Que você corra ao encontro de sua vida e ainda que seu coração dispare, continue firme no trecho e não coloque a si mesmo no ponto morto, pois viver vai muito além de não morrer aos poucos.
“A vida é a faculdade de resistir à morte”
02/10/2014
