Enquanto você lê esse artigo em algum lugar da casa, empresa, rua, cidade ou planeta, um casal tem a seguinte conversa:
Mulher – Você nunca me ouve quando estou falando com você. Algo como conversar com uma parede. Tudo soa estranho para você quando abro a boca. Não adianta mais discutir com um surdo. Nosso relacionamento está totalmente desafinado.
Homem – Tudo está muito claro para mim. Só você não quer enxergar o que tanto mostro a você. A pior cega é aquela que não quer ver. Concordo que não compartilhamos uma mesma visão. E acho que nosso relacionamento perdeu o brilho.
Ambos falam português, mas não conseguem se entender, porque a mulher está falando termos ou palavras referentes ao seu ouvido e boca, e o homem prefere termos ou palavras referentes ao olho dele. Como assim?
Leia novamente o diálogo e descobrirá que a mulher usa as seguintes palavras: ouve, falando, conversar, soa, boca, discutir, surdo… Enquanto isso, o homem rebate com outras palavras: claro, enxergar, mostro, cega, ver, noto, visão…
Enquanto a mulher diz que o relacionamento perdeu a afinação, o homem acha que perdeu o brilho. Harmonia está relacionado à audição, e brilho à visão, certo? Ambos falam português, mas a mulher fala “auditivês” e o homem fala “visualês”.
Imaginemos agora uma amiga que ouve toda essa conversa e tenta ajudar esse casal.
Amiga – Estou aflita. Sinto que a coisa esquentou aqui. Ambos estão pressionando demais e empurrando a responsabilidade. Falta mais contato entre vocês. O fardo está cada vez mais pesado para todos nós. Essa conversa só torna a relação de vocês tensa e áspera.
Se a coisa estava feia, agora complicou de vez. Vamos prestar atenção às palavras da amiga: aflita, sinto, esquentou, pressionando, empurrando, contato, pesado e, no final, descreve a relação como tensa e áspera. Todas as palavras estão relacionadas ao tato (mãos) e às emoções. Ou seja, tudo relacionado ao cinestésico. Então, por que não dizer que ela está falando “cinestesês”?
Fico aqui pensando quantas pessoas não conseguem conversar com o outro, porque estão usando palavras relacionadas a sentidos diferentes. Um fala no sentido da audição, outro no da visão. E nenhuma conversa faz sentido. As palavras de quem fala são como flechas que não alcançam o centro do alvo, porque não estão apontadas para o sentido certo (visão, audição, tato…). Ou seja, não estão apontadas para o sentido preferido de quem ouve.
O que o homem deveria dizer para a mulher? Querida, sou todo ouvidos! Pode falar devagar que vou escutar claramente tudo o que você já precisou gritar algum dia por eu não ter te escutado e me fechado em silêncio. O que mais quero é harmonizar e afinar nosso relacionamento. Simples, não? Falou português, mas no dialeto dela – “auditivês”. Ou música para os ouvidos dela.
Agora, se você é um vendedor de carros que ouviu toda essa conversa, e precisa conquistar a atenção, interesse e desejo deles pelo carro, como faria sua apresentação?
Certamente, teria mais sucesso se convidasse a mulher para ouvir o ronco do motor, o som potente do carro, e perceber como é silencioso o ar condicionado. E ao falar com o homem, poderia mostrar o design do carro, a perfeição do acabamento interno, as luzes do som e claro pedir para o cliente se imaginar andando naquele veículo.
E quanto à amiga? Ah! bastaria pedir para ela sentar e sentir o acabamento em couro, pegar no volante, inclinar os bancos e, claro, falar da emoção de pegar uma estrada para uma praia com os vidros abertos, sentindo o vento em seus cabelos.
Então, se você deseja obter uma comunicação mais efetiva, passe a prestar mais atenção às palavras que são ditas pela pessoa à sua frente. Para qual sentido elas apontam? Audição, Visão, Tato… Traduza suas palavras no dialeto de quem ouve e você conseguirá total atenção, confiança e empatia. Sua conversa terá mais sentido se suas palavras estiverem no sentido certo.
Ouviu? Viu? Pegou?
10/05/2013
